Aluno da Velha Escola

Todo homem tem um sonho, mas antes de atingir a fase adulta o garoto talvez já tenha pensado em se tornar... jogador de futebol ou astronauta. Ao crescer, ele se depara com a realidade dura da vida, muda de idéia e por força das circunstâncias segue outro caminho, munido de um "passaporte" para o mercado de trabalho e muitas responsabilidades nas costas. O peso do fardo só é aliviado quando o cidadão dá asas à imaginação e viaja pelo mundo da fantasia através do cinema e da literatura.

Eu - que alimento o gosto por filmes, livros e gibis desde a infância - comecei a escrever as primeiras letras de rap há cerca de vinte anos, época em que M.C. Hammer lançava o antológico álbum Please Hammer Don`t Hurt`Em (de 1990). O ato de compor longos versos rimando entre si - narrando ou contando uma história - de certa maneira teve influência cinematográfica e literária, no que diz respeito à construção de uma idéia poética com início, meio e fim, mas também dando espaço para o elemento surpresa.

Em 1991 o grupo Magrellos - ao lançar o autointitulado álbum por uma gravadora multinacional, produzido pelo D.J. Raffa Santoro - passou a ser no início daquela década uma forte referência de rep brasileiro, o que me motivou a continuar criando minha coleção de rudimentares escritos juvenis em ritmo cadenciado. O vídeoclipes do Run DMC também causaram em mim um grande impacto visual e sonoro, além daquela atitude tipicamente hip hop. Rapidamente entrei pro time e vesti a camisa.


Nos anos seguintes o discurso do emecê de Niterói começou a amadurecer, conforme eu ia bebendo na fonte dos álbuns Shorty The Pimp (1992), do Too Short, e Raio-X Brasil (1993), dos Racionais MCs. Entre 1994 e 1995 - sob o codinome G. Altyvo - realizei as primeiras gravações para demosntração (as velhas fitas K7 demo); de 1996 a 1998 participei de festivais de canção estudantil como intérprete e compositor e hoje... estou aqui, aqui estou com muito fôlego (morou?), mandando ver altivamente a todo vapor, rimando sem parar rumo ao alvor.

Voltando no tempo, me recordo de um evento que aconteceu sob os arcos da Lapa (R.J.) no fim dos anos 90: a emoção de conhecer Thaíde & DJ Hum no camarim e depois invadir o palco ao som de "Sr. Tempo Bom". Como já dizia o cronista da periferia GOG: "Nosso dia a dia pode ser melhorado/Há várias formas de ser respeitado".

Foto: G.N. no Festival da Canção Estudantil, promovido pela Rádio MEC - 12/11/1996.



Espécie: PoDu/Tipo de vegetal: musical/Frutos: rimas e batidas/Raízes: poéticas/Procedência: Nikiti City/Desde: Dois-Zero-Zero-Seis

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