Recorde

Sinto-me um atleta vitorioso ao praticar um esporte chamado música num local de provas chamado estúdio, pois acabo de bater um incrível recorde: a nova música - Via Ponte Rio-Niterói - foi gravada, produzida e arranjada em três horinhas somente (superando a primeira gravação oficial do PoDu). V.P.R.N. é o tipo de faixa que quando toca na pista é pedrada certeira, ao atingir os ouvidos bota o sujeito pra dançar animadamente. Minha mãe adorou o balanço (uma das primeiras a ouvir tudo o que eu gravo). O tema do rep - apoiado pela vibração pra cima e positiva - narra a luta diária de um poeta operário por seus sonhos e objetivos. Se esse som tocasse no rádio certamente seria um tremendo sucesso. Escutaí e faça o teste de qualidade!

OUÇA!

A Grafia

O universo musical é capaz de colocar o artista em situações tão... incomuns que o inusitado pode ocorrer nos processos mais burocráticos, aqueles que envolvem dados cadastrais (nomes, números...) visando a organização de documentos e a garantia dos direitos autorais.

Num belo dia... fui eu registrar duas músicas no orgão competente, chegando lá preenchi a ficha que solicita várias informações do autor, além do título da obra e seu respectivo gênero. No ato do registro, uma cópia da letra e outra da partitura devem ser anexadas ao formulário devidamente preenchido. Feito isso, o pedido já está requerido. Aguardo alguns minutos, até ser chamado pelo(a) funcionário(a) da repartição - responsável pela digitação e arquivamento de todos os dados fornecidos - que me entrega os certificados de propriedade intelectual.

Ao fazer a conferência dos papéis dou de cara com um erro que considero gritante: a forma como foi grafado o estilo da composição. Em vez de rap/hip hop digitou-se hap/hip-hop, em vez de bossa nova/rap digitou-se bossa-nova/hap. Até onde eu sei, a palavra rap (oriunda do inglês, que significa bater [verbo] ou batida [abordagem policial, substantivo]) se escreve com R e não com H. Tem mais: os termos bossa nova e hip hop não precisam de traço (-). Para a minha surpresa, ao apontar tal erro à pessoa, esta me falou que a letra era realmente H e não R e que ela só redige dessa maneira.

Após eu insistir bastante, e fundamentar o R, quem me atendia se deu por convencido e tratou de efetuar a correção. Seria até aceitável se em vez de rap (que também pode significar rhythm and poetry) fosse digitado rep (ritmo e poesia, forma aportuguesada). Então, atenção compositor: quando requerer o certificado da sua obra, fique atento a todas as informações, se correspondem ou não àquilo que foi mencionado por você.


Meu Camarada Sete-Três (Em Memória)

Eu o conheci em 1997, estudamos na mesma classe de Teoria Musical da Escola de Música Villa-Lobos. Aproximados pela afinidade e o apreço que tínhamos pelo hip hop logo fizemos amizade, uma identificação natural por termos algo em comum. Trocando idéias, revelamos um para o outro das nossas intenções, dos nossos projetos e de nossas habilidades: ambos éramos letristas e intérpretes sonhadores e cheios de planos, dois rimadores buscando conhecimento teórico e batalhando para gravar o disco de estréia. No mesmo ano inscrevi uma composição no festival da escola, que foi classificada e ficou entre as finalistas. A música foi gravada e incluída na coletânea Festvilla 3. Ronier 73, por sua vez, já vinha gravando algumas faixas com seu parceiro D.J. Juan Melo, e interagindo com outros artistas de rep das zonas Norte e Oeste da cidade do Rio. Conforme nosso grau de camaradagem foi aumentando a parceria entre G.N. (eu) e 73 parecia inevitável. Fui convidado por ele, tempos depois, para acompanhá-lo em apresentações fazendo voz de apoio. Tive o prazer de recebê-lo em minha casa para ensaiar.

Com o mano participei como convidado do evento Hip Hop Rio, promovido por Marcelo D2, e lá fui apresentado ao então líder do Planet Hemp, além de conhecer vários M.C.`s como Marechal (de Niterói) e Dom Negrone (de São Gonçalo). Ainda me lembro daquele dia na Lona Cultural de Realengo, noite chuvosa porém animada ao som das rimas e batidas, teve até uma sessão de improviso (freestyle rap) onde quase todo mundo que estava no palco mandou seu recado sobre a base instrumental de Itzsoweeze, do De La Soul. Naquele momento eu já havia participado de uma segunda coletânea pela citada escola de música e a fama do meu prezado camarada crescia cada vez mais entre as pessoas envolvidas ou que acompanhavam o ‘movimento’ hip hop carioca. Posteriormente, Ronier recebeu um convite para se apresentar num (extinto) programa de atrações musicais da Xuxa, foi a maior exposição que ele teve em sua curta carreira. Aparecer na TV, cantando música própria, o motivou e encheu o peito do jovem repeador de esperança por um futuro promissor – ele ansiava por um contrato com uma gravadora ou gerar o interesse de algum empresário do ramo artístico disposto a investir. Mas suas ambições não se concretizaram.

Num estúdio do bairro Ilha do Governador (R.J.) gravamos a faixa Quem Cala Consente (nosso único registro fonográfico), lançada no fim de 2001 no C.D. Zoeira Hip Hop – encartado em uma das edições da revista TRIP (que tem a Marisa Monte na capa), curiosamente meu nome não aparece nos créditos do disco. A coletânea idealizada pela agitadora cultural Elza Cohen chegou a dar destaque para alguns artistas que ainda estão em atividade (Black Alien, BNegão, etc.). Recordo-me também que uma vez fizemos um “pacto” (de brincadeira) prometendo ajudar o outro, caso um de nós despontasse primeiro ao se estabelecer no mercado musical. Hoje quando leio um dos versos dessa música do 73 fico até arrepiado, num trecho ele diz: “Canto os encantos e prantos, e admito não sou santo/Também sou da raça humana e estou vivo por enquanto/Não faço nem idéia do que me reserva o destino/Mas derrubando barreiras é como eu me imagino...”. Infelizmente o querido Roni (como também era chamado pelos amigos) não vive mais, faleceu há dois anos atrás, 16/04/2007, num acidente automobilístico aos 30 anos de idade.

De uns anos pra cá nossas carreiras tomaram rumos diferentes, perdemos um pouco do contato e depois eu soube que ele tinha se desiludido com a música, abandonou tudo aquilo em que acreditava, prestou concurso e entrou para a Polícia Militar, visando estabilidade financeira. Mudou radicalmente, deixou de ser o M.C. 73 para se tornar o policial Ronier Célio. Quando morreu estava a serviço junto com um colega, um maldito caminhão perdeu o controle e bateu brutalmente contra a viatura – os dois foram a óbito no local. Sinto muitas saudades desse grande cara, vai ficar para sempre em minha mente a imagem desse jovem talentoso, generoso e companheiro acima de tudo. Seguirei o exemplo do Ronier 73 (nasc.: 1977 – falec.: 2007) e reforço seu pensamento: A união faz a força, diz o velho ditado/E esse mundo parece cada vez mais disputado/Mas não concorro com você, eu coopero por nós/Se liga no refrão que eu quero ouvir a sua voz:/Tome, como nós, essa atitude inteligente/Mostre a sua voz, pois quem cala consente”.

Descanse em paz, meu amigo! Dedico à sua memória Runnin', do The Pharcyde (que contém sample de Saudade Vem Correndo, gravada por Stan Getz e Luiz Bonfá).

Em Primeira Mão

Rufem os tambores (is-so mes-mo!), PoDu acaba de concluir sua primeira música oficial - antes intitulada provisoriamente de O Rumor - produzida por Gusnob Mac Lou e Bruno Marcus. Gravada no Estúdio Tomba, a faixa foi desevolvida a partir de um loop de percussão que serviu de sustentação para guiar a voz, em seguida definiu-se a linha de baixo dando o pontapé para elaborar todo o arranjo e... ce fini. Sabe quanto tempo levou a realização de todas as etapas (da pré-produção á edição final)? APENAS QUATRO HORAS! Ainda que versos e melodia já estivessem compostos (com a concepção musical estabelecida), eu nunca tinha passado pela experiência de gravar tão rápido e obter um resultado pra lá de satisfatório - o que pra mim foi um desafio sen-sa-ci-o-nal.

Possivelmente, no futuro serão feitos alguns ajustes e a canção poderá ganhar novos elementos, mas independente disso ela já cumpre sua função imprimindo sua identidade artística (é impossível resistir ao suingue e não se ligar na mensagem que cita dois importantes ícones do samba e do rap). Sendo assim... faço-te o convite para ouvir Quebra de Silêncio [MixNúmero1] em primeiríssima mão, pode crer que chegou o momento do espetáculo.

OUÇA!

Ao Estúdio / Novas Gravações

A semente foi plantada no ano de 2006, a partir do momento que comecei a perceber que muitas músicas do gênero ritmo e poesia - compostas por mim - não teriam um amplo espaço no repertório da vital banda virtual da qual sou vocalista (projeto que apenas privilegia o formato canção). Tais composições ficaram guardadas por um longo tempo em função de certas prioridades, agora chegou a hora de abrir o baú , selecionar algumas letras e seguir para o estúdio a fim de gravá-las. A priori, não se trata da feitura de... um álbum conceitual e sim o registro do discurso de um repeador e suas idéais ao som do autêntico hip hop. Brincar de fazer batidas, como uma criança num parque de diversões, rimando sobre os meus sonhos e intenções.

Então, vamos lá! É época de experimentar timbres de bumbo e de caixa, ajustar graves e agudos e transformá-los em petardos musicais (ou hit singles). A primeira pedrada a ser produzida e gravada será a faixa O Rumor (título provisório), calcada em base rítmica que remete ao afro beat, ao raggamuffin e com temática que soa provocadora. A segunda pedrada chama-se Via Ponte Rio-Niterói, rep que será devidamente arranjado e mixado, além de ganhar uma surpreendente interpretação vocal. Em breve a árvore da espécie PoDu nos dará frutos de gosto deliciosamente sonoro!!!



Espécie: PoDu/Tipo de vegetal: musical/Frutos: rimas e batidas/Raízes: poéticas/Procedência: Nikiti City/Desde: Dois-Zero-Zero-Seis

ACESSOS!

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