A Lista do Rimano

PoDu EP: ExperiênciaPositiva (capa) é o nome do álbum de estréia da árvore mais musical do Brasil, a ser distribuído gratuitamente na internet.

Fazendo jus ao slogan "madeira de lei do hip hop", a obra musicográfica apresenta a consistência artística de um artesão da rima que trabalhou com esmero a fim de "esculpir" o melhor som possível. É com enorme satisfação que apresento a lista de faixas.



1. Potente Durâmen (Vinheta Introdutória) > inédita

2. Avançar Com Ímpeto > inédita

3. Quebra de Silêncio!

4. Melanina Em Pauta > inédita

5. Dia de Decisão (Interlúdio) > inédita

6. Patrimônio da Natureza > inédita

7. Via Ponte Rio-Niterói

Produção: Gusnob Mac Lou e Bruno Marcus / Concepção musical: Rimano Grão Notável.

ExperiênciaPositiva

Como diz o Mano Brown: "Aqui estou mais um dia sob o olhar..." piedoso do Vigia, botando lenha no fogo pra aquecer o hip hop. Pode crer, é assim que tem que ser! Após alguns meses longe do estúdio (sinto falta dos graves em estéreo a todo volume), já estou ensaiando - literalmente - meu retorno ao "aquário" onde peixe não canta de galo.

Produzir canções estilo rep não é difícil, mas é um trabalho que requer paciência, pois exige intenso treino de articulação vocal de centenas de palavras que formam uma intricada rede de rimas, além da pesquisa de batidas e timbres adequados. Costumo dizer que no final das contas (sem nenhum "paitrocínio" para bancar as horas de gravação) o importante sempre será o prazer da diversão que a música proporciona.

Sucesso comercial e reconhecimento de público são ótimos por gerarem receita e prestígio, mas quem se dedica a arte de rimar poderá se frustrar a partir do momento em que achar que vai ficar milionário ou consolidar uma carreira no panteão do pop. Impossível não é, só que é preciso ter os pés no chão e entender que o maior êxito do artista consiste em compor uma grande obra e não se iludir com falsas expectativas.

Eu nunca deixo de sonhar (afinal, sonhar não custa nada), mas não sou sustentado por sonhos, eu é que os sustento. Fico feliz por isso, já que a medida em que o repertório gravado cresce, consigo vislumbrar o primeiro volume da musicografia do Potente Durâmen - cujo título provisório é ExperiênciaPositiva (composto por 07 faixas matadoras).


O Recital

Foto: escultura em porcelana de Dom Quixote.
Seres humanos são questionadores por natureza, desde que começam a se entender por gente têm o costume de fazerem longas viagens introspectivas em busca de conhecimento do seu "eu', têm enorme curiosidade sobre os mistérios da vida e de vez em quando têm crises existenciais.

Quem tem o hábito de escrever, por meio de uma linguagem poética, relata suas reflexões como maneira de calar alguma angústia, curar alguma dor, expressar amor ou manisfestar furor. Eu sempre tive certa inclinação pela poesia de cunho existencialista - que trata da dimenção do ser -, embora tenha uma veia lítero-musical que é um misto de expressionismo e protesto, muito influenciada pelas impressões oculares e pelos ruídos urbanos.

Foi assim que se criou boa parte do meu repertório e dele pincei uma composição que gosto bastante, chama-se ♫ Dia de Decisão ♫. Dessa vez resolvi fazer algo diferente, ao invés de elaborar um arranjo com vários elementos usei apenas uma base percussiva e uma cama harmônica. O clima intimista abriu caminho para uma interpretação mais calcada na declamação de versos, e repare que a produção menos polida faz com que a faixa passe a sensação de... recitação em sarau com trilha incidental de jazz ou choro.

Recorde

Sinto-me um atleta vitorioso ao praticar um esporte chamado música num local de provas chamado estúdio, pois acabo de bater um incrível recorde: a nova música - Via Ponte Rio-Niterói - foi gravada, produzida e arranjada em três horinhas somente (superando a primeira gravação oficial do PoDu). V.P.R.N. é o tipo de faixa que quando toca na pista é pedrada certeira, ao atingir os ouvidos bota o sujeito pra dançar animadamente. Minha mãe adorou o balanço (uma das primeiras a ouvir tudo o que eu gravo). O tema do rep - apoiado pela vibração pra cima e positiva - narra a luta diária de um poeta operário por seus sonhos e objetivos. Se esse som tocasse no rádio certamente seria um tremendo sucesso. Escutaí e faça o teste de qualidade!

OUÇA!

A Grafia

O universo musical é capaz de colocar o artista em situações tão... incomuns que o inusitado pode ocorrer nos processos mais burocráticos, aqueles que envolvem dados cadastrais (nomes, números...) visando a organização de documentos e a garantia dos direitos autorais.

Num belo dia... fui eu registrar duas músicas no orgão competente, chegando lá preenchi a ficha que solicita várias informações do autor, além do título da obra e seu respectivo gênero. No ato do registro, uma cópia da letra e outra da partitura devem ser anexadas ao formulário devidamente preenchido. Feito isso, o pedido já está requerido. Aguardo alguns minutos, até ser chamado pelo(a) funcionário(a) da repartição - responsável pela digitação e arquivamento de todos os dados fornecidos - que me entrega os certificados de propriedade intelectual.

Ao fazer a conferência dos papéis dou de cara com um erro que considero gritante: a forma como foi grafado o estilo da composição. Em vez de rap/hip hop digitou-se hap/hip-hop, em vez de bossa nova/rap digitou-se bossa-nova/hap. Até onde eu sei, a palavra rap (oriunda do inglês, que significa bater [verbo] ou batida [abordagem policial, substantivo]) se escreve com R e não com H. Tem mais: os termos bossa nova e hip hop não precisam de traço (-). Para a minha surpresa, ao apontar tal erro à pessoa, esta me falou que a letra era realmente H e não R e que ela só redige dessa maneira.

Após eu insistir bastante, e fundamentar o R, quem me atendia se deu por convencido e tratou de efetuar a correção. Seria até aceitável se em vez de rap (que também pode significar rhythm and poetry) fosse digitado rep (ritmo e poesia, forma aportuguesada). Então, atenção compositor: quando requerer o certificado da sua obra, fique atento a todas as informações, se correspondem ou não àquilo que foi mencionado por você.


Meu Camarada Sete-Três (Em Memória)

Eu o conheci em 1997, estudamos na mesma classe de Teoria Musical da Escola de Música Villa-Lobos. Aproximados pela afinidade e o apreço que tínhamos pelo hip hop logo fizemos amizade, uma identificação natural por termos algo em comum. Trocando idéias, revelamos um para o outro das nossas intenções, dos nossos projetos e de nossas habilidades: ambos éramos letristas e intérpretes sonhadores e cheios de planos, dois rimadores buscando conhecimento teórico e batalhando para gravar o disco de estréia. No mesmo ano inscrevi uma composição no festival da escola, que foi classificada e ficou entre as finalistas. A música foi gravada e incluída na coletânea Festvilla 3. Ronier 73, por sua vez, já vinha gravando algumas faixas com seu parceiro D.J. Juan Melo, e interagindo com outros artistas de rep das zonas Norte e Oeste da cidade do Rio. Conforme nosso grau de camaradagem foi aumentando a parceria entre G.N. (eu) e 73 parecia inevitável. Fui convidado por ele, tempos depois, para acompanhá-lo em apresentações fazendo voz de apoio. Tive o prazer de recebê-lo em minha casa para ensaiar.

Com o mano participei como convidado do evento Hip Hop Rio, promovido por Marcelo D2, e lá fui apresentado ao então líder do Planet Hemp, além de conhecer vários M.C.`s como Marechal (de Niterói) e Dom Negrone (de São Gonçalo). Ainda me lembro daquele dia na Lona Cultural de Realengo, noite chuvosa porém animada ao som das rimas e batidas, teve até uma sessão de improviso (freestyle rap) onde quase todo mundo que estava no palco mandou seu recado sobre a base instrumental de Itzsoweeze, do De La Soul. Naquele momento eu já havia participado de uma segunda coletânea pela citada escola de música e a fama do meu prezado camarada crescia cada vez mais entre as pessoas envolvidas ou que acompanhavam o ‘movimento’ hip hop carioca. Posteriormente, Ronier recebeu um convite para se apresentar num (extinto) programa de atrações musicais da Xuxa, foi a maior exposição que ele teve em sua curta carreira. Aparecer na TV, cantando música própria, o motivou e encheu o peito do jovem repeador de esperança por um futuro promissor – ele ansiava por um contrato com uma gravadora ou gerar o interesse de algum empresário do ramo artístico disposto a investir. Mas suas ambições não se concretizaram.

Num estúdio do bairro Ilha do Governador (R.J.) gravamos a faixa Quem Cala Consente (nosso único registro fonográfico), lançada no fim de 2001 no C.D. Zoeira Hip Hop – encartado em uma das edições da revista TRIP (que tem a Marisa Monte na capa), curiosamente meu nome não aparece nos créditos do disco. A coletânea idealizada pela agitadora cultural Elza Cohen chegou a dar destaque para alguns artistas que ainda estão em atividade (Black Alien, BNegão, etc.). Recordo-me também que uma vez fizemos um “pacto” (de brincadeira) prometendo ajudar o outro, caso um de nós despontasse primeiro ao se estabelecer no mercado musical. Hoje quando leio um dos versos dessa música do 73 fico até arrepiado, num trecho ele diz: “Canto os encantos e prantos, e admito não sou santo/Também sou da raça humana e estou vivo por enquanto/Não faço nem idéia do que me reserva o destino/Mas derrubando barreiras é como eu me imagino...”. Infelizmente o querido Roni (como também era chamado pelos amigos) não vive mais, faleceu há dois anos atrás, 16/04/2007, num acidente automobilístico aos 30 anos de idade.

De uns anos pra cá nossas carreiras tomaram rumos diferentes, perdemos um pouco do contato e depois eu soube que ele tinha se desiludido com a música, abandonou tudo aquilo em que acreditava, prestou concurso e entrou para a Polícia Militar, visando estabilidade financeira. Mudou radicalmente, deixou de ser o M.C. 73 para se tornar o policial Ronier Célio. Quando morreu estava a serviço junto com um colega, um maldito caminhão perdeu o controle e bateu brutalmente contra a viatura – os dois foram a óbito no local. Sinto muitas saudades desse grande cara, vai ficar para sempre em minha mente a imagem desse jovem talentoso, generoso e companheiro acima de tudo. Seguirei o exemplo do Ronier 73 (nasc.: 1977 – falec.: 2007) e reforço seu pensamento: A união faz a força, diz o velho ditado/E esse mundo parece cada vez mais disputado/Mas não concorro com você, eu coopero por nós/Se liga no refrão que eu quero ouvir a sua voz:/Tome, como nós, essa atitude inteligente/Mostre a sua voz, pois quem cala consente”.

Descanse em paz, meu amigo! Dedico à sua memória Runnin', do The Pharcyde (que contém sample de Saudade Vem Correndo, gravada por Stan Getz e Luiz Bonfá).

Em Primeira Mão

Rufem os tambores (is-so mes-mo!), PoDu acaba de concluir sua primeira música oficial - antes intitulada provisoriamente de O Rumor - produzida por Gusnob Mac Lou e Bruno Marcus. Gravada no Estúdio Tomba, a faixa foi desevolvida a partir de um loop de percussão que serviu de sustentação para guiar a voz, em seguida definiu-se a linha de baixo dando o pontapé para elaborar todo o arranjo e... ce fini. Sabe quanto tempo levou a realização de todas as etapas (da pré-produção á edição final)? APENAS QUATRO HORAS! Ainda que versos e melodia já estivessem compostos (com a concepção musical estabelecida), eu nunca tinha passado pela experiência de gravar tão rápido e obter um resultado pra lá de satisfatório - o que pra mim foi um desafio sen-sa-ci-o-nal.

Possivelmente, no futuro serão feitos alguns ajustes e a canção poderá ganhar novos elementos, mas independente disso ela já cumpre sua função imprimindo sua identidade artística (é impossível resistir ao suingue e não se ligar na mensagem que cita dois importantes ícones do samba e do rap). Sendo assim... faço-te o convite para ouvir Quebra de Silêncio [MixNúmero1] em primeiríssima mão, pode crer que chegou o momento do espetáculo.

OUÇA!

Ao Estúdio / Novas Gravações

A semente foi plantada no ano de 2006, a partir do momento que comecei a perceber que muitas músicas do gênero ritmo e poesia - compostas por mim - não teriam um amplo espaço no repertório da vital banda virtual da qual sou vocalista (projeto que apenas privilegia o formato canção). Tais composições ficaram guardadas por um longo tempo em função de certas prioridades, agora chegou a hora de abrir o baú , selecionar algumas letras e seguir para o estúdio a fim de gravá-las. A priori, não se trata da feitura de... um álbum conceitual e sim o registro do discurso de um repeador e suas idéais ao som do autêntico hip hop. Brincar de fazer batidas, como uma criança num parque de diversões, rimando sobre os meus sonhos e intenções.

Então, vamos lá! É época de experimentar timbres de bumbo e de caixa, ajustar graves e agudos e transformá-los em petardos musicais (ou hit singles). A primeira pedrada a ser produzida e gravada será a faixa O Rumor (título provisório), calcada em base rítmica que remete ao afro beat, ao raggamuffin e com temática que soa provocadora. A segunda pedrada chama-se Via Ponte Rio-Niterói, rep que será devidamente arranjado e mixado, além de ganhar uma surpreendente interpretação vocal. Em breve a árvore da espécie PoDu nos dará frutos de gosto deliciosamente sonoro!!!



Espécie: PoDu/Tipo de vegetal: musical/Frutos: rimas e batidas/Raízes: poéticas/Procedência: Nikiti City/Desde: Dois-Zero-Zero-Seis

ACESSOS!

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